Luiz Couto participa de Sessão Solene em homenagem à Campanha da Fraternidade 2026 e defende moradia como direito fundamental

O deputado federal Luiz Couto (PT-PB) participou, nesta quarta-feira (18), de Sessão Solene na Câmara dos Deputados em homenagem à Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia”. Durante a cerimônia, o parlamentar destacou a importância de tratar a questão habitacional como prioridade nacional, ressaltando que milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso a uma moradia digna, em um cenário marcado por desigualdade e exclusão social.

Luiz Couto reforçou que o debate sobre moradia precisa ir além dos dados e alcançar um compromisso efetivo do poder público. “Não estamos falando apenas de casas, mas de dignidade, de proteção e de futuro. É inaceitável que ainda convivamos com um déficit habitacional tão alto enquanto existem milhões de imóveis vazios no país. Precisamos transformar essa realidade com políticas públicas sérias e contínuas”, afirmou.

O deputado também destacou o chamado da campanha para a solidariedade e a ação concreta, lembrando ensinamentos de referências como Dom Hélder Câmara e o Papa Francisco. “Moradia não é favor, é um direito fundamental. A Campanha da Fraternidade nos provoca a sair da indiferença e assumir a responsabilidade de construir um Brasil mais justo, onde nenhuma família seja invisibilizada ou privada de um teto”, concluiu.

Leia a íntegra do pronunciamento registrado na Sessão Solene:

DISCURSO – HOMENAGEM À CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
irmãos e irmãs de todo o Brasil,

Há temas que não podem ser tratados apenas como estatística, porque antes de serem números, são dor, esperança e clamor humano. A Campanha da Fraternidade 2026 nos chama justamente a olhar para um desses temas essenciais: a moradia. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a Igreja no Brasil nos recorda uma verdade simples e profundamente transformadora: Deus não salvou a humanidade à distância; Deus armou sua tenda entre nós, entrou na nossa história e santificou a vida concreta do povo. O Texto-Base afirma que a falta de um teto digno não é apenas uma carência material, mas uma expressão concreta da exclusão social que nega a dignidade de filhos e filhas de Deus.

Quando falamos em moradia, não falamos apenas de paredes, telhado e endereço. Falamos de proteção, de intimidade, de descanso, de afeto, de infância, de memória, de futuro. Falamos do lugar onde uma mãe acalma o filho, onde um idoso encontra repouso, onde uma família aprende a recomeçar. E, no entanto, o Brasil ainda convive com uma ferida aberta: o Texto-Base da Campanha registra que o déficit habitacional do país passou de 6,2 milhões de domicílios em 2022, enquanto o número de imóveis vazios chegou a 11,4 milhões; além disso, o Censo 2022 encontrou 12.348 favelas e comunidades urbanas, onde viviam 16,39 milhões de pessoas. Não estamos diante de um problema marginal. Estamos diante de uma chaga nacional.

A Campanha nos obriga a perguntar, como faz o próprio Texto-Base: “Por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, por quê?”. Essa pergunta não nasce da ideologia; nasce da fraternidade. Só se incomoda com a falta de moradia quem ainda é capaz de reconhecer no outro um irmão, uma irmã.

Dom Hélder Câmara, profeta da justiça e da paz, resumiu essa exigência evangélica numa frase que atravessa gerações: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.” Não basta aliviar a dor; é preciso enfrentar as causas da exclusão. Não basta enxugar lágrimas; é preciso combater as estruturas que fabricam abandono.
Dom José Maria Pires, o inesquecível Dom Pelé da Paraíba, também nos ensinou a alargar o olhar moral da sociedade, ao afirmar que “o fraco a ser protegido” não é apenas a criança ou a viúva sem teto, mas também o trabalhador explorado, o migrante arrancado de sua terra e o lavrador ferido pela injustiça. Sua palavra continua atual porque nos recorda que negar moradia é também negar pertencimento, segurança e cidadania.

Dom Luciano Mendes de Almeida, pastor da ternura concreta, deixou como marca uma pergunta que deveria orientar toda autoridade pública e toda comunidade cristã: “Em que posso ajudar?”. Essa é a pergunta que transforma fé em serviço, compaixão em política pública, espiritualidade em compromisso social.

E nosso eterno Papa Francisco foi direto, com a coragem dos que colocava o Evangelho acima da conveniência: “Terra, casa e trabalho, aquilo pelo que lutais, são direitos sagrados.” Em outro momento, ele afirmou que o mínimo material para uma vida digna tem três nomes: casa, trabalho e terra. Não se trata de favor; trata-se de direito. Não se trata de privilégio; trata-se de justiça.

A própria Campanha da Fraternidade 2026 oferece uma imagem profundamente comovente: a do Cristo Sem-Teto, inspirada na escultura Homeless Jesus, que identifica no corpo abandonado do morador de rua o próprio Cristo ferido da história. O Texto-Base ainda traz testemunhos de pessoas que, ao conquistarem moradia, puderam dizer: “sou outra pessoa, tenho minha vida de volta” e “não queria morrer na rua, como indigente, agora tenho…”. Eis a verdade que precisa ecoar nesta Casa: moradia não é apenas abrigo; moradia devolve nome, dignidade, laços, proteção e futuro.

Por isso, esta homenagem à Campanha da Fraternidade 2026 não pode ser apenas protocolar. Ela precisa ser um compromisso. Compromisso com políticas habitacionais sérias. Compromisso com urbanização de assentamentos precários. Compromisso com saneamento, regularização fundiária, combate à especulação imobiliária e proteção da população em situação de rua. Compromisso com um Brasil em que nenhuma criança cresça sem endereço, nenhuma mãe durma com medo da chuva, nenhum idoso termine a vida sem um teto, e nenhuma família seja tratada como invisível. O próprio Texto-Base convoca a Igreja e a sociedade à solidariedade concreta e ao empenho por leis e políticas públicas de moradia em todas as esferas.

E eu concluo com uma mensagem forte ao Brasil:
Não haverá nação verdadeiramente justa enquanto houver irmãos e irmãs sem casa, sem chão e sem paz. O Brasil precisa decidir se continuará convivendo com a indiferença ou se levantará, como povo de fé e de coragem, para fazer da moradia um direito real e não uma promessa adiada.

Que a Campanha da Fraternidade 2026 desperte consciências, mova os corações e pressione as estruturas. Porque onde houver uma família sem teto, ali haverá uma ferida na alma do Brasil. E onde houver solidariedade, justiça e ação concreta, ali Deus continuará morando entre nós.

Que nosso Deus, todo Poderoso, nos fortaleça e abençoe o Brasil!

Era o que tinha a dizer,
Sala das Sessões, 18 de março de 2026.

Zezé Béchade

Ascom Dep. Luiz Couto

Foto: Câmara dos Deputados

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